3 – Pacientes em uso de análogos de GLP-1 "Canetas Emagrecedoras"
As “canetas” têm revolucionado o tratamento da obesidade e da diabetes tipo 2, auxiliando no controle da fome, do “food noise” (aqueles pensamentos constantes com comida), da saciedade e da perda de peso. No entanto, embora atuem sobre mecanismos biológicos relacionados ao apetite, elas não modificam automaticamente o comportamento alimentar desenvolvido ao longo da vida.
Muitos pacientes descobrem ao reduzir a fome fisiológica algo que antes ficava encoberto pela necessidade constante de comer: a fome emocional. Não raro escutamos no consultório “não sinto mais fome, mas continuo querendo comer”. Essa sensação é comum em pacientes que fazem uso de Ozempic. Essa frase indica que a necessidade já não é fisiológica, mas psicológica e comportamental e que o “food noise” continua atormentando.
Pacientes em uso de Mounjaro, tem o “food noise” reduzido. A medicação altera os sinais elétricos cerebrais nas áreas associadas ao prazer e ao impulso de comer, aumenta a sensação de saciedade e diminui o desejo por alimentos calóricos. O medicamento reduz a ativação dos centros e recompensa e prazer associados à alimentação, alterando o sistema de hábitos alimentares.
As alterações químicas produzidas pela medicação não se sustentam a longo prazo, sem o uso contínuo. Quando a fome física diminui, é comum que emoções antes silenciadas pela alimentação se tornem mais evidentes. Quando a fome cala, a emoção ganha voz!
É neste contexto, então que a psicoterapia pode desempenhar um papel fundamental desenvolvendo estratégias de regulação emocional, construindo hábitos mais saudáveis. Trabalhamos com o mindful eating (comer com atenção plena), ressignificando a relação com a comida e desenvolvendo outros prazeres.
Além disso, oferece suporte para lidar com as mudanças na imagem corporal, nas relações sociais e nas expectativas que frequentemente acompanham o processo de emagrecimento.